Turismo sem fronteiras: criptomoedas e blockchain prometem revolucionar setor

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A digitalização transformou, entre outras camadas da economia, o setor do turismo, alterando desde a maneira como as pessoas planejam as viagens até como as vivenciam. Com o advento da World Wide Web e dos mecanismos de busca online, os viajantes que antes tinham de ir às agências de viagens ou recorrer a pessoas próximas, passaram a pesquisar sobre o destino com apenas alguns cliques. Atualmente, reservar passagens, hotéis e atividades turísticas ficou ainda mais fácil e personalizável, com aplicativos, redes sociais e inteligência artificial.

Apesar dos avanços, o turismo tradicional enfrenta desafios financeiros, como taxas de câmbio desfavoráveis, tarifas bancárias elevadas e processos burocráticos. Esses obstáculos podem desestimular, especialmente, viagens internacionais e gerar quedas no turismo de diversas regiões. 

Nesse contexto, a tecnologia blockchain surge como uma solução promissora ao oferecer transações seguras, transparentes e eficientes. Como a transação acontece em ambiente descentralizado, ela elimina intermediários, reduz custos e simplifica pagamentos internacionais. 

Contratos inteligentes, por sua vez, automatizam reservas e pagamentos, enquanto as criptomoedas se apresentam como uma alternativa eficaz à rigidez das moedas fiduciárias de um país. Essas inovações posicionam a blockchain como uma ferramenta estratégica na modernização e otimização da indústria do turismo.

Criptomoedas como meio de pagamento no turismo

Devido ao aumento da aceitação e circulação das criptomoedas, o setor de turismo se movimenta a fim de acompanhar as demandas dos clientes por uma experiência de viagem mais rápida, simplificada e econômica. Nesse sentido, o mercado já apresenta soluções de pagamento em moedas digitais em plataformas de reserva de hotéis, passagens e atividades, tanto no comércio local quanto em outros serviços, incluindo os de saúde.

A Travala, por exemplo, permite que os usuários reservem e paguem pelo transporte, hospedagem e programas a partir de uma variedade de mais de 100 criptomoedas, incluindo USDT e USDC. 

Recentemente, a empresa anunciou que, a fim de expandir sua atuação, firmou uma parceria com a Trivago. O acordo consiste na incorporação de mais 2,2 milhões de propriedades do inventário da Travala pelo motor de busca. 

Apesar de resolver boa parte das preocupações que envolvem uma viagem, as reservas feitas na plataforma não solucionam todas elas. Na maioria dos destinos, para fazer compras em um supermercado, por exemplo, é necessário que se tenha a moeda local. Dentre as opções mais comuns, o viajante terá de trocar o dinheiro em uma casa de câmbio ou usar cartões internacionais, o que gera gastos devido às taxas e cotações.

Para solucionar esse e outros empecilhos, diversos destinos turísticos caminham para fortificar a economia digital. A flexibilidade financeira, inclusive, tem sido motor para que cidades turísticas já conhecidas invistam nesse aspecto, e isso tem desenhado novos pontos de turismo para aqueles interessados no uso das criptomoedas.

Cidades brasileiras ampliam o uso de criptomoedas no turismo

É o caso da cidade de Rolante, do Rio Grande do Sul, que conta com 211 estabelecimentos listados no site do projeto “Bitcoin é aqui!”. A iniciativa idealizada pelo casal Ricardo Socoloski e Camilla Stock pode ser considerada um case de sucesso, visto que os objetivos de promover o bitcoin e colocar o município no mapa do turismo foram alcançados. Além disso, em fevereiro de 2024, a cidade chegou a ser a maior e mais importante “cidade Bitcoin” do mundo, como reportou a Exame.

Assim como o que vem acontecendo na cidade localizada a 100 km de Porto Alegre, o turismo já faz parte do cotidiano do Rio de Janeiro. Em 2024, o estado registrou mais de 1,513 milhão de turistas internacionais, um crescimento de 26,8% quando comparado a 2023. O alto fluxo de estrangeiros somado à crescente no mercado cripto levou a rede de supermercados Zona Sul, em parceria com a Transfero Group, a aceitar criptomoedas como bitcoin (BTC), ether (ETH), solana (SOL), BNB, USDC, USDT, ARZ, BRZ e EuroC. Desde então, na hora de pagar, o cliente escolhe “Transfero Checkout” como o método de pagamento, escanea o QR Code e opta pela moeda digital desejada para pagar. 

A transação é feita de maneira instantânea, reduz taxas e ainda confere acessibilidade ao viajante. Na avaliação do gerente de digital do Zona Sul, Vitor Monteiro, essa inovação pretende facilitar a vida daqueles que vão ao Rio para passear e não querem se preocupar com o trâmite referente ao câmbio. 

“O Zona Sul costuma estar perto de pontos turísticos do Rio, e as stablecoins facilitam para esse cliente estrangeiro. Quem está passeando volta ao país de origem e não quer ficar preso com as moedas que comprou na viagem”, explica Monteiro.

Ainda no Brasil, São Paulo (SP), Jericoacoara (CE) e São Thomé das Letras (MG) se destacam com projetos para difundir o uso de criptomoedas. A nível global, El Salvador, Itália e República Checa concentram uma grande quantidade de estabelecimentos receptivos às moedas digitais.

Blockchain amplia segurança de viajantes

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Atualmente, viajantes precisam carregar passaportes, vistos, carteiras de identidade e uma série de documentos físicos para transitar entre países. Nesse aspecto, a blockchain oferece um modelo de identidade digital descentralizado, permitindo que as informações de um indivíduo sejam registradas de forma segura e que possam ser acessadas globalmente, sem a necessidade de cópias físicas.

O governo brasileiro já começou a implementar essa tecnologia na emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), garantindo maior segurança e integridade dos dados dos cidadãos. 

Na avaliação do Governo Federal, a blockchain permite a rastreabilidade e imutabilidade das informações, e, portanto, reduz fraudes e melhora a eficiência nos processos de verificação de identidade.

Segundo o secretário de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Rogério Mascarenhas, “a CIN possibilita que diferentes áreas do governo possam atuar de forma integrada para atender as necessidades dos cidadãos, facilitando o acesso aos serviços, regularizando os cadastros administrativos, incluindo o cidadão brasileiro, principalmente nos serviços digitais”.

Para a plataforma de conhecimento para a indústria hoteleira Revfine, embora já represente um avanço na segurança de dados, a blockchain tem o potencial de novas aplicações nas seguintes situações:

  • verificação de identidade digital 
  • gerenciamento seguro de documentos 
  • check-ins automatizados
  • controle e segurança de fronteiras 
  • programas de fidelidade e perfis de viajantes 
  • registros de saúde e segurança

NFTs promovem experiências turísticas exclusivas

No contexto de ativos digitais baseados em blockchain, os tokens não-fungíveis (NFTs) têm o potencial para tornar viagens, passeios e atividades experiências únicas. Isso porque o caráter insubstituível serve como prova verificável da autenticidade e propriedade destes ativos. Afinal, os NFTs promovem diferenciações que empresas passaram a usar como ingressos para eventos, hospedagem, passagens aéreas e cartões turísticos. 

Dessa forma, eles proporcionam uma  segurança que um ingresso físico ou QR Code não podem garantir, além de possibilitarem a criação de bens colecionáveis, que servem como recordações. Os NFTs ainda podem oferecer vantagens offline para os compradores e estimulam um público interessado no tema.

Em matéria do Cointelegraph foi relatado que a Ilha de Jeju, na Coreia do Sul, planeja emitir cartões turísticos em NFTs para alavancar as visitações na província. Espera-se que a iniciativa atraia, principalmente, os millennials e a geração Z.  A previsão é que o lançamento seja feito no segundo semestre de 2025 e contemple subsídios de viagem e descontos em pontos turísticos.

No setor da aviação, o Grupo Lufthansa lançou, em 2023, um programa de fidelidade baseado em NFTs. Nele, o usuário pode converter a passagem comprada em cartões colecionáveis, que irão se tornar, posteriormente, tokens não-fungíveis. 

No caso da companhia aérea, o acúmulo de tokens permite que o cliente assíduo complete as diferentes coleções disponíveis, que por sua vez, se transformam em recompensas exclusivas que podem chegar até 3 mil euros, como informou a Exame

Já no setor hoteleiro, o Brasil tem como exemplo de utilização de NFTs como estratégia de negócio do Hotel Solar do Imperador, localizado em Porto Seguro (BA). O estabelecimento, na busca por novos clientes para o final de ano, adotou a tecnologia para que os clientes encontrem na estadia alguns benefícios proporcionados pela economia digital, segundo noticiou o Meio&Mensagem

Em suma, ao comprar um desses tokens, o cliente do hotel garante a hospedagem ao mesmo tempo em que recebe descontos vitalícios e mais duas estadias gratuitas na rede.

Desafios e futuro do uso de cripto no turismo

Apesar do crescimento do mercado de criptomoedas, a aceitação global ainda é limitada por barreiras regulatórias. As diferentes abordagens em relação às moedas digitais variam entre restrições severas, regulações incipientes, aceitação parcial e adesão como moeda oficial. 

Ao passo que El Salvador se tornou o primeiro país a aceitar o bitcoin como moeda de curso legal em 2021, incentivando sua utilização no setor turístico, por exemplo, a China intensifica a supervisão do setor.

Somado à questão regulatória, as flutuações nos valores das criptomoedas podem comprometer a previsibilidade financeira de empresas e consumidores. Um turista que paga uma estadia de hotel com bitcoin pode enfrentar um cenário no qual o valor pago se desvaloriza rapidamente ou, no caso de um reembolso, se valoriza significativamente, o que gera impasses financeiros.

Para mitigar esse risco, as stablecoins oferecem maior previsibilidade de preço e ampliam a confiabilidade para pagamentos. 

Ao funcionar como solução à volatilidade, as empresas do setor já buscam aceitá-las para reduzir riscos e operar em um segmento que, segundo relatório da CEX.io, em 2024, superou o volume de transações da Visa e Mastercard combinados, com somatório de US$ 27,6 trilhões.

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  • 27 de Fevereiro, 2025