Espanhol sequestrado em São Paulo perde US$ 50 milhões em criptomoedas
Um sequestro com desdobramentos financeiros envolvendo criptomoedas está sendo investigado em São Paulo. O empresário espanhol Rodrigo Pérez Aristizábal, de 25 anos, ficou cinco dias em cativeiro. Ele acusa os sequestradores de terem roubado US$ 50 milhões em criptomoedas. O caso que ganhou contornos ainda mais complexos após revelações sobre o passado da vítima.
Rodrigo disse em depoimento que estava voltando a pé para casa depois de jantar em uma padaria no bairro do Ipiranga, onde mora. Ao se aproximar de sua residência, notou uma viatura da Polícia Civil com um homem de cabelos loiros, uniformizado e portando um fuzil.
Assim que passou pelo veículo, o suposto policial o abordou dizendo que seria da Interpol, a polícia internacional presente em mais de 196 países, incluindo o Brasil. Então, o suposto agente apreendeu o celular do espanhol e o algemou. Em seguida, o obrigou a entrar no veículo e o levou para um cativeiro.
De acordo com a investigação, o sequestrador levou o empresário para uma casa em Mogi das Cruzes (SP). Durante o período de cárcere, um ex-PM posteriormente identificado como Ronaldo da Cruz Batista o mantinha sob vigilância, utilizando uma espingarda calibre 12, munições e algemas.
Vítima dopa sequestrador para escapar
A fuga aconteceu após o empresário dopar o sequestrador. Ronaldo teria deixado uma garrafa de água e um sedativo que seria usado para manter a vítima inconsciente. Aproveitando a distração, Rodrigo misturou o sedativo na água do agressor, que ficou desacordado.
Assim que conseguiu sair do local, o espanhol dirigiu-se a um restaurante chamado “Caminho do Mar” e acionou a Polícia Militar. Ronaldo foi preso em flagrante enquanto tentava fugir de carro por uma rodovia próxima.
Além do ex-PM, preso no cativeiro, a polícia também prendeu um Policial Civil, cuja identidade não foi revelada. Há, ainda, uma investigação em andamento para identificar a participação de mais outras sete pessoas, entre elas, a ex-namorada da vítima.
Segundo Rodrigo, a mulher conhecida como Luana Bektas esteve no cativeiro durante o seu sequestro, e conversou com um dos sequestradores.
Roubo milionário em criptomoedas
O caso ganhou repercussão no setor de criptomoedas devido ao sequestro ter relação com roubo de criptomoedas. Rodrigo acusa os sequestradores de desviarem US$ 50 milhões em criptomoedas.
Autoridades estão investigando a origem dos fundos em criptomoedas (se eram provenientes de negócios legítimos ou atividades ilícitas). Além disso, os investigadores não descartam a hipótese de ter havido uma negociação prévia entre vítima e sequestrador. A polícia tenta localizar as criptomoedas roubadas, investigando se os criminosos as moveram para outras carteiras ou congelaram os ativos.
A Divisão Antissequestro do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e a Polícia Federal estão envolvidas nas investigações, que também buscam esclarecer a situação migratória do espanhol, que estava no Brasil há três meses sem documentação regular.
Quem é Rodrigo Pérez Aristizabal?
Logo após o caso vir a público, começaram a correr notícias sobre a suposta ligação do empresário sequestrado com um crime ocorrido em 2021, no Paraguai. De acordo com uma reportagem do jornal ABC, um Rodrigo Pérez Aristizábal, também espanhol, foi preso em 2021 após aplicar uma série de golpes financeiros em Assunçao, capital do país.
Na época com 21 anos, Rodrigo, que havia entrado no país há apenas 4 dias, realizou uma série de compras virtuais em lojas de grife, em joalherias e também em lojas e eletrodomésticos e celulares. No entanto, as compras eram canceladas 24 horas depois, quando os objetivos já tinham sido enviados para o criminoso.
Assim, ele obteve um lucro de 50 milhões de guaranis paraguaios. Além disso, a reportagem também informa que ele havia sido preso por crime semelhante no Equador.
Recentemente, houve um outro caso de sequestro com roubo de criptomoedas, mas na França. O cofundador da empresa de carteiras de criptomoedas Ledger, David Balland, foi libertado após ser sequestrado em sua casa. Durante o sequestro os criminosos exigiram o pagamento de um resgate em criptomoedas.
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