Fundos de criptomoedas têm novo influxo positivo apesar da incerteza econômica nos EUA

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Na última semana de março, os produtos de investimento atrelados a ativos digitais receberam um influxo total de US$ 226 milhões. Embora o valor seja modesto para os padrões do setor, o número é animador por representar uma inversão na tendência recente com relação aos fundos de criptomoedas.

O gráfico apresenta a evolução dos fluxos diários médios de fundos (calculados em um período móvel de 1 mês) como porcentagem do patrimônio sob gestão (AuM), com uma linha de tendência suavizada pela média móvel de 180 dias.No eixo vertical, os valores variam de -0,20% a 0,50%, enquanto o eixo horizontal mostra a linha do tempo entre janeiro de 2020 e julho de 2024. A trajetória começa próxima de 0% no início de 2020, com oscilações moderadas até meados de 2021. A partir de então, os fluxos tornam-se mais voláteis, atingindo picos positivos acima de 0,40% em 2022 e quedas abaixo de -0,10% em alguns momentos de 2023. Em 2024, a linha se estabiliza em uma faixa mais estreita, próxima de 0%, indicando menor movimento líquido de entradas e saídas em relação ao AuM. A suavização pela média móvel de 180 dias (linha contínua) revela que, apesar das flutuações diárias, a tendência de longo prazo se mantém equilibrada, sem grandes desvios sustentados.
Em meio a entradas, fundos registram menor saldo de Bitcoin dos últimos meses. Fonte: CoinShares

Esta foi a segunda semana consecutiva de saldo positivo, após cinco semanas de resultados negativos. O desempenho desses fundos poderia ter sido ainda melhor se não fosse o anúncio dos dados sobre o consumo dos Estados Unidos, conforme destacou a CoinShares no relatório.

Fundos de criptomoedas no ‘azul’

Na sexta-feira passada, o Bureau de Análises Econômicas do Departamento de Comércio dos EUA revelou que o consumo das famílias cresceu menos que o esperado, enquanto os preços subiram. Trata-se de um sinal de que o país pode estar entrando em um período de estagflação, quando baixo crescimento econômico se combina com inflação elevada.

Apesar disso, a semana encerrou com nove dias consecutivos em que as entradas superaram as saídas nos fundos de criptomoedas. Somente na sexta-feira (28), investidores cautelosos retiraram US$ 74 milhões dos fundos, temendo uma possível mudança na política fiscal do Federal Reserve. Caso a tendência atual se mantenha, espera-se que o FED volte a elevar as taxas de juros.

Do saldo positivo de US$ 226 milhões, a maior parte veio de investidores dos EUA. Eles responderam por US$ 203,6 milhões (cerca de 90% do total). Esse influxo reduziu o saldo negativo acumulado do mês para US$ 1,151 bilhão.

Outros países também contribuíram para o resultado positivo: Austrália (US$ 900 mil), Suíça (US$ 14,7 milhões), Alemanha (US$ 9,2 milhões), Canadá (US$ 4,1 milhões) e outros mercados (US$ 4,3 milhões).

Por outro lado, as principais saídas vieram do Brasil (US$ -1,3 milhão), Hong Kong (US$ -2,1 milhões) e Suécia (US$ -6,8 milhões).

Investimento em Bitcoin e altcoins

Os dados revelam ainda uma mudança no cenário: enquanto os produtos vinculados ao Bitcoin registraram entradas de US$ 195 milhões, os produtos Short Bitcoin (que apostam na queda da moeda) tiveram sua quarta semana consecutiva de saídas (US$ -2,5 milhões).

Contraditoriamente, a quantidade de Bitcoin sob gestão desses fundos caiu para o menor nível desde novembro (US$ 114 bilhões) – quando a eleição de Trump desencadeou o atual rally de preços. Esse movimento pode estar limitando a valorização do Bitcoin, devido às liquidações realizadas por esses fundos de criptomoedas.

Por fim, as altcoins também tiveram desempenho positivo na semana. Os maiores ganhos foram registrados por produtos vinculados a Ethereum (US$ 144,5 milhões), Solana (US$ 7,8 milhões), XRP (US$ 4,8 milhões) e Sui (US$ 4,0 milhões).

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  • 31 de Março, 2025